Vasectomia

 O que vem a sua cabeça ao ouvir sobre esse procedimento cirúrgico? Há quem pense que o homem, após passar por uma cirurgia desse tipo, tem a vida sexual comprometida. Há quem ache, inclusive, que ele se torna menos viril e, falando o português claro, menos homem.

Pois bem, vamos aos fatos: trata-se de uma cirurgia que interfere unicamente na capacidade reprodutiva do homem, ou seja, na produção de espermatozóides. Mas os mitos podem parar por aí: o procedimento em si não é nenhum bicho de sete cabeças e não causa grandes incômodos, além do que a vida sexual é pouco afetada. Quem sentiu um frio na espinha ao ouvir a palavra “vasectomia” pode respirar aliviado. Trata-se de um procedimento simples.

Corte Simples: para quem pensa que a vasectomia é algo complexo, aí vai um esclarecimento: trata-se de um procedimento relativamente tranqüilo, cuja duração é de 30 a 40 minutos. Em resumo: o local recebe anestesia, em que não há dor muito intensa. Após isso, é feto um corte no canal deferente, na bolsa escrotal. O objetivo é separar esse canal, pois esses são os dois canais que ligam os testículos, órgãos nos quais os espermatozóides são produzidos, com a vesícula seminal. A cirurgia em si não causa dor intensa ao paciente. Após passar pela vasectomia, o homem fica em repouso relativo de um a dois dias, sendo que estará totalmente recuperado após uma semana. Além disso, o paciente deverá ficar uma semana sem ter relações sexuais.

Na reserva: após a realização da cirurgia, o homem ainda tem reserva de sêmen em duas vesículas seminais, cujo conteúdo é esvaziado após 12 ejaculações. Por isso é importante ressaltar: há risco de o homem engravidar a parceira pouco tempo após a vasectomia, em virtude dessa reserva. “A produção é mantida, pois só há um desvio da passagem dos espermatozóides, que passa a ser uma proteína reaproveitada pelo organismo na via circulatória”, destaca Jose Antonio Longo, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Por esse motivo, indica-se que ele faça o espermograma cerca de 60 dias após a cirurgia, para saber se ele ainda produz espermatozóides. Até a realização desse exame, recomenda-se que ele e a parceira usem preservativos durante as relações sexuais.

Há complicações? É bem raro e as complicações são pequenas. Por exemplo, o homem fica com dores crônicas, mas leves, em cerca de 5% dos casos.

E o sexo? Não muda nada, pode ficar tranqüilo. Como a produção hormonal não é alterado e a vasectomia não tem relação com a capacidade erétil, a vida sexual continua a mesma. Dependendo do caso, pode até melhorar, pois o casal tende a perder o medo de a mulher ter uma gravidez não planejada.

É reversível? É possível reverter a vasectomia por meio da ligação do canal deferente, cirurgicamente falando. Mas a história não é simples, pelo contrário. “Trata-se de uma cirurgia delicada e microscópica. Mas a fertilidade do homem não será a mesma. Há chance pequena de se gerar uma gravidez, e é mais comum fazê-lo por meio de reprodução humana (assistida)”, pontua Camillo Loprete, urologista. Em até dez anos, a reversão pode ser bem sucedida em até 75% dos casos.

Quem Pode Fazer? Se há um ponto polêmico, a idade é um dos principais. É bom lembrar que não é porque um homem queira se submeter à vasectomia a qualquer momento, que ele possa fazê-lo à vontade. Trata-se de uma decisão drástica. “Hoje, há consenso da Sociedade Brasileira de Urologia sobre fazer vasectomia após os 30 anos. Quando o homem tem mais de 30 e não tem filhos, fazer o procedimento ou não vai de cada médico. Caso tenha um filho, trata se de uma faixa perigosa, enquanto a história é mais tranqüila quando o homem tem mais de um filho quando ele chega a essa faixa etária. Isso sem contar que o consenso familiar pesa na decisão de fazer a vasectomia, ainda mais ao levar-se em conta que uma possível gravidez pode colocar a mulher em risco quando ela tiver hipertensão, diabetes ou coagulopatias – transtornos de coagulação sanguínea.

Fonte: Revista Guarulhos.

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