Cibercondria

Talvez você nunca tenha ouvido falar em cibercondria, mas provavelmente já jogou no Google o resultado de um exame ou algum sintoma, ao menor sinal de mal-estar. Saiba como este comportamento afeta a sua saúde.

Notam-se duas imagens sólidas, hipoecogênicas, de limites definidos. Pronto a frase no resultado da ultrassonografia mamária de rotina foi suficiente para aterrorizar .  Esperar duas semanas para retornar ao médico e saber o que aquelas palavras significam estava totalmente fora de cogitação, afinal, a internet esta aí para acabar com qualquer dúvida. Só que não. Em pouco tempo de pesquisa você pode estar certa que tem um câncer de mama. Mais alguns links e já sabe tudo sobre mastectomia (cirurgia de remoção das mamas).  Foram 15 dias de preocupações e planos promovidos pelo autodiagnóstico pela internet, até que ouvisse de seu ginecologista que o que tinha eram nódulos de gordura que desaparecem com o tempo.

Histórias como essa são cada mais freqüentes. De acordo com os dados mais recentes da empresa de pesquisas global Ipsos MORI, divulgados em 2011, 86% dos brasileiros que acessam a internet utilizam a web para obter informações sobre saúde, mas apenas 25% conferem a fonte. O estudo revelou ainda que câncer, aids, diabetes e depressão são os assuntos de maior interesse entre os buscadores.

Como tudo na vida, o comportamento tem dois lados. “É bom para que os pacientes levem suas dúvidas aos consultórios e compreendam melhor um diagnóstico, mas o excesso de informações também pode gerar medo e incentivar a automedicação, o que é extremamente prejudicial”, declara Paulo Camiz, clínico geral e professor da Faculdade de Medicina da USP. Portanto, a atitude não é prejudicial. O perigo mora no excesso e na falta de bom senso.

Quando vira doença

Para compreender o que é cibercondria, é preciso entender o que é hipocondria.

“O hipocondríaco tem uma sensação quase constante de que está doente e pode morrer antes que sua doença seja descoberta e tratada, sendo que essa sensação interfere diretamente no seu cotidiano. O cibercondríaco tem a mesma impressão, mas utiliza a internet para obter informações sobre as doenças que acredita ter, em uma busca incessante e desesperada que pode até resultar em crises de angústia e depressão”, explica Vladimir Bernik, coordenador da equipe de psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP).

Ansiedade, na maioria dos casos, é a responsável pelo autodiagnóstico equivocado. Começa a senti fortes dores de cabeça e, por desconfiar que pudesse ser algo grave, antes de ir ao hospital, pesquisa a respeito do que poderia causar uma dor de cabeça tão forte. Encontra uma matéria sobre tumor cerebral e se identifica com boa parte dos sintomas. Fica apavorada, mas quando vai ao médico descobre que era só uma enxaqueca menstrual.

O tratamento adequado é definido a partir da causa do problema. Em casos de suspeita de hipocondria ou cibercondria, o clínico geral costuma examinar o paciente e tentar ganhar sua confiança para convencê-lo de que não há doença alguma, mas terapias em grupo também ajudam. Já em casos em que esse quadro seja fruto de transtorno obsessivo compulsivo ou depressão, o tratamento deve ser conduzido por um psiquiatra.

Sinais de cibercondria

  • Idéia fixa de que está com alguma doença grave, sendo que qualquer anormalidade torna-se um sintoma que comprova suas suspeitas.
  • Na internet, passa a maior parte do tempo navegando em busca de conteúdos relacionados a doenças, apresentando sintomas ou não.
  • Costuma-se autodiagnosticar e, até mesmo, se automedicar com base nas informações que encontra na rede.

Fonte: Revista Corpo a Corpo.

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