Ajudando as crianças a estabelecer metas

Assunto interessante da Revista Weekend para as mamães.

É comum que os adultos estabeleçam metas e façam planos para alcançarem seus objetivos. Mas para as crianças, será que os pais também podem traçar metas para o cotidiano ou até a longo prazo?

De acordo com a psicóloga especialista em terapia sistêmica familiar, casal e especialista em tratamento de traumas e fobias Maysa Fagundes Rangel, a resposta é sim. Para a profissional confiar às crianças a realização de tarefas contribui para a construção de valores que são importantes para a educação, como: disciplina, responsabilidade, autonomia, dedicação, organização, cooperação, autoconfiança, compromisso e determinação.

“Inicialmente, as crianças entendem os objetivos como sendo desejos ou sonhos que pretendem realizar. E as metas como o passo a passo que devem executar para conquistá-los. Vivenciar este tipo de experiência estimula o reconhecimento de que é necessário cumprir algumas etapas para concluir uma atividade”, explica.

Para que os pequenos tenham compreensão do que são as metas, é possível começar delegando alguns cuidados pessoais e afazeres domésticos simples, como pedir para que guardem os brinquedos por exemplo. “Conforme a criança for assimilando e incorporando cada desafio do seu dia a dia, é possível aumentar a complexidade dos afazeres. No entanto, é importante que os pais estejam cientes de que as metas estabelecidas devem sempre ser compatíveis com a idade e estar dentro de suas capacidades. Também é relevante tornar a atividade prazerosa e valorizar o esforço e a cooperação, elogiando cada sucesso, pois o reconhecimento estimula o interesse na participação e o desejo de ir além”, ensina.

Metas e as idades:

  • A partir dos 2 anos: as crianças já estão aptas a fazer as atividades mais simples, como cuidar de suas próprias coisas. Propor que elas guardem seus brinquedos, livros e coloquem a roupa suja no cesto são formas divertidas de aprender;
  • Com 3 a 4 anos de idade: já há um senso de iniciativa e percepção de que podem planejar e executar ideias, o que torna possível começar a incentivá-las a trocar as próprias roupas, pegar objetos e ajudar a dar comida para animais de estimação;
  • Dos 5 aos 6 anos: a capacidade de concentrar a atenção aumenta e a coordenação motora está mais desenvolvida, permitindo que foquem em atividades mais longas e que exigem maior precisão. Podem ajudar a fazer a cama, arrumar as compras do mercado, molhar as plantas e auxiliar no preparo de alguns alimentos. “Nessa fase, também começa a acontecer maior aproveitamento do conteúdo de cursos de idiomas, futebol e ginástica olímpica, por exemplo”, afirma a psicóloga;
  • Entre os 7 aos 9 anos: conseguem colaborar em tarefas domésticas mais elaboradas, como estender e retirar roupas do varal, pôr ou tirar a mesa e recolher o lixo. Sendo assim, já é possível desenvolver uma rotina, pois eles têm habilidade de estabelecer compromissos, compreender regras e seguir horários;
  • De 10 a 12 anos: as crianças apresentam maior habilidade em ter um pensamento crítico e estão aptas a planejar com antecedência. Estão mais seguras e independentes e podem ter funções de maior responsabilidade em casa, como preparar refeições simples, auxiliar no cuidado de irmãos menores, lavar louça e limpar o banheiro. “A partir deste momento, podemos encarregá-las destes compromissos e cobrar sua realização. As exigências quanto à carga de estudos, cobrança de resultados e desempenho em cursos, bem como a administração do tempo pode aumentar”.

Independente da idade, as tarefas devem ser sempre supervisionadas. Em determinadas idades, por questões de segurança e, mais adiante, para garantir sua execução e a aquisição do aprendizado proposto. “Muitas vezes, os pais criam uma rotina e acreditam ser o bastante para que a criança ou jovem se comprometa; entretanto, é imprescindível acompanharmos sempre para orientá-los e auxiliá-los quando necessário”, ressalta Maysa.

Cuidado com excesso:

Muitos pais, ao buscar atividades extracurriculares para os filhos, desconsideram seu desejo e, com a intenção de prepará-los para o futuro, impõem tarefas que julgam ser as melhores, como a inclusão em cursos de idiomas, aula de música, esportes e outros, mas é recomendado avaliar se realmente trazem contribuições efetivas ou apenas exercem o papel de “cuidadores substitutos”.

“A sobrecarga de tarefas pode ser mais prejudicial à saúde da criança do que benefício ao seu currículo. Com bastante frequencia, na prática clínica, recebo no consultório crianças apresentando sintomas como: gagueira, irritabilidade, bruxismo, pesadelos, alterações do sono, alterações do apetite, perda de concentração, ansiedade, perda ou ganho excessivo de peso, agressividade, impaciência, enurese noturna, dor de barriga, estômago ou de cabeça se causa aparente e outros. Todos esses problemas podem ser associados à cobrança excessiva, forte pressão nas atividades e metas impostas pelos pais, que estão além de suas capacidades. è evidente como a ansiedade causada pelo excesso de atividades, a competitividade decorrente do desejo de sempre sobressair, o medo de decepcionar os pais, o cansaço decorrente dos curtos intervalos e volume de trabalho, a crença de incompetência por não atender as expectativas e a insatisfação pela falta de tempo para atividades prazerosas, bem como diversos sentimentos negativos decorrentes dessas situações, podem levar as crianças a até desenvolver estresse e depressão infantil”, alerta.

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