Psicologia, psiquiatria e psicanálise

Pode se dizer que não há ser humano que passe a vida inteira sem experimentar os dissabores naturais de uma existência. O que há são pessoas que lidam de diferentes formas com o mesmo tipo de problema. O ponto consensual é que algumas dificuldades, quando mal “digeridas”, podem ser “arrastadas”, involuntariamente,  provocando uma enxurrada de sentimentos negativos, que a partir de certo momento e intensidade, transformam-se em incertezas, dor e sofrimento. Diante disso, como a ciência, por meio da psicologia, psiquiatria e psicanálise, pode colaborar para que um indivíduo encontre o equilíbrio, autoconhecimento e possa “resgatar-se” psicologicamente.

Psicologia

Para a psicóloga Ana Paula Díscola, o autoconhecimento é a “arte” de ficar frente a frente com seu verdadeiro eu e descobrir-se. Dessa forma, o equilíbrio emocional depende do quanto a pessoa se conhece internamente. “Quando estamos equilibrados emocionalmente, a identificação dos problemas e a reação a eles acontecem de forma mais assertiva e concreta”, explica.

Segundo a profissional, a psicologia restabelece os sentimentos de autoestima e amor próprio, proporcionando equilíbrio emocional e resgate pessoal. “Ter amor próprio é saber admirar-se, valorizar-se, cuidar-se e ser sua melhor companhia. Se você não souber amar a si mesmo, como conseguirá construir relacionamentos saudáveis? Quando regulamos os sentimentos e controlamos o estresse, os pensamentos são mais claros e conseguimos nos comunicar melhor, gerando assim relacionamentos mais empáticos. Os relacionamentos de amizade, afetivos ou de qualquer natureza, são grandes causadores de desequilíbrios de toda ordem.”

Quando às ferramentas usadas na psicologia para ajudar alguém a resgatar-se, a profissional destaca: “Temos recursos como entrevistas, testes, escalas de atitudes, entre outros, que são capazes de nos levar ao conhecimento detalhado do problema, bem como diagnosticar o estágio em que a enfermidade está”, informa.

Psiquiatria

A psiquiatra Kátia Aureana Leal destaca que transtornos psiquiátricos como a depressão e ansiedade, por exemplo, são mais frequentes do que se possa imaginar. Tais males são desencadeadores de desequilíbrios que podem fazer com que muitas pessoas percam o entusiasmo pela vida e se sintam em “um beco sem saída.” “O psiquiatra deve garantir ao paciente um ambiente seguro e de confiança, criando assim um vínculo de extrema importância para a identificação exata do problema”, pontua.

Para a psiquiatra, o equilíbrio é um conceito que abrange várias áreas e dimensões. “Para atingi-lo, necessita-se do equilíbrio espiritual, sociofamiliar, físico, emocional e profissional. A saúde emocional é o equilíbrio das funções psíquicas, que se revela na capacidade de controlar e gerenciar as emoções, resultando em um bem-estar na sua totalidade”, detalha.

Quanto às técnicas de que a psiquiatra dispõe para tirar uma pessoa da crise e resgatá-la, ela explica que, após consulta detalhada, se necessário, pedem-se exames laboratoriais complementares.

“Após levantamento da história clínica do paciente, realizamos o exame psíquico, físico e neurológico direcionado, emitimos diagnóstico e damos início ao tratamento. Muitas vezes é necessária a realização de exames laboratoriais para a exclusão de patologias de origem orgânica e, em casos extremos, pode ser necessária até mesmo a internação ou intervenção hospitalar”, explica.

Para finalizar, Kátia deixa algumas dicas práticas para a busca do equilíbrio: “Reserve tempo para si, ame-se cuide-se, valorize-se, nunca desista de você, encontre a sua maneira e rejeite os pensamentos negativos; sorria mais, sonhe e trace metas em busca da realização dos seus sonhos.”

Psicanálise

A psicanalista Maria Odete Galbiatti defende que uma mente saudável tem a ver com a responsabilidade, com o “peso” que cada um imputa às situações cotidianas e que o desequilíbrio pode ser oriundo do inconsciente. Dessa forma, a partir do entendimento de que viver é desafiador, o desejado equilíbrio pode ser encontrado. “Para a psicanálise, não há seres completos. Somos divididos entre consciência, uma pequena parte daquilo que conhecemos, e o inconsciente, com sua linguagem própria, sonhos e fantasias que nomeiam tudo que nos cerca. Nossa posição psíquica ordena nossos pensamentos, devaneios, projetos e até a imaginação. Portanto, o que chamamos de desequilíbrio pode estar ligado aos afetos inconscientes, e ser uma forma de evitar a dor de existir e impedir uma vida plena de realizações. O equilíbrio tão almejado pode vir com a elaboração singular de que viver implica riscos e desafios, e cabe a cada um fazer as escolhas com tudo o que elas representam de perdas e ganhos”, declara.

Maria Odete destaca que a psicanálise é valiosa no tratamento daqueles que buscam resgatar-se e reencontrar-se, e que a visão preconceituosa de quem procura profissionais que tratam a mente humana é “doido” deve ser deixada de lado. Sobre os métodos psicanalíticos que podem ajudar na busca pelo equilíbrio, ela respondeu: “Tomarei de empréstimo as palavras do poeta Drummond: ‘Sob a pele das palavras existem cifras e códigos’.

O ofício do analista é decifrar os códigos inconscientes da linguagem, mostrando que somos seres divididos entre pensamento, atos e linguagem. Essa divisão é a fonte dos sofrimentos. O psicanalista não dá conselhos: seu ofício é escutar, e com cortes precisos pontuar e afirmar que há espaço para a singularidade e para o desejo de viver com responsabilidade a própria vida, mesmo que se corra o risco da dúvida, da solidão, de ser confundido com louco. Porém, a invenção de uma maneira singular de viver é o encontro consigo mesmo, e o principal ingrediente dessa invenção é o amor que também é porta de saída da depressão”, conclui.

 

Fonte: Revista de Guarulhos

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