Os jogos na terceira idade

Os jogos na terceira idade ajudam a estimular a memória, mantendo-a em funcionamento. Aproveite para conhecer os mais indicados.

A partir dos 60 nos, as doenças neurodegenerativas que afetam a memória crescem exponencialmente. Nessa fase de vida, processos básicos que envolvam memória, linguagem e atenção precisam ser incentivados e fortalecidos. Essas atividades permitem envelhecer com mais qualidade de vida, pois estimulam o cérebro e podem ajudar a retardar o surgimento de doenças como Alzheimer. “Já que a aprendizagem de algo novo mantém a mente em funcionamento, é aconselhável não só a leitura com regularidade, mas também a atividade física e determinados passatempos, principalmente os desafiadores, que mantenham a cabeça constantemente ocupada e produtiva”, esclarece a psicóloga Danielle Sá. Explica a psicóloga Valéria Rodrigues que a perda de algumas funções cognitivas (processo mental de percepção, memória ou raciocínio) pode ser descrita como uma adaptação do cérebro à nova condição de vida iniciada na terceira idade. As células relacionadas às atividades menos utilizadas seriam desativadas para concentrar esforços em áreas mais necessárias ao novo modo de vida. Por isso, alguns jogos exercita o cérebro e o auxiliam a fazer novas conexões e aprender novas tarefas e habilidades. Eles favorecem o treinamento cognitivo ao estimular áreas cerebrais específicas.

Jogos mais adequados

Nem todos os jogos são ideais para trabalhar o cérebro na terceira idade. De acordo com Valéria, para o treinamento cognitivo o ideal são jogos que façam com que a pessoa aprenda algo, aguce o pensamento e mantenha a concentração. “Temos exercícios que podem ativar áreas distintas do cérebro. Portanto, alguns poderão favorecer mais a memória, outros o raciocínio lógico, e assim por diante. Podemos listar como treinamento cognitivo o jogo da memória, porém o simples ato de ler  um jornal e pensar sobre o que está lendo, ou até mesmo mudar seu lugar ao sentar à mesa nas refeições já promove a estimulação cerebral e cognitiva”, esclarece. Palavras cruzadas, memória, quebra cabeça, dominó, damas, sudoku, sete erros  e jogos de estratégias são realmente os mais indicados para as pessoas da terceira idade. Além de exercitarem a mente, todos seguem uma lógica parecido. “No sudoku, é  preciso exercitar a lógica, além de ter uma memória boa para cálculos simples, enquanto que no caça palavras a memória visual é altamente estimulada por meio da procura. O dominó proporciona o desenvolvimento de uma estratégia de jogo, e as palavras cruzadas puxam pela lembrança vocabulários e conhecimentos”, descreve Danielle. Vale lembrar que geralmente os jogos agem da mesma forma com todas as pessoas, mas é claro que é preciso levar em conta a singularidade de cada um. “Cada caso é um caso, e não existe receita de bolo quando se trata do ser humano. Por isso, é fundamental respeitar a individualidade e investigar o que lhe dá mais prazer para que as intervenções sejam mais efetivas. Alguns idosos não gostam, por exemplo, de palavras cruzadas. Em vez do isolamento, preferem uma atividade que lhes permita interagir com as pessoas. Assim, cada indicação deverá ser direcionada de acordo com o perfil da pessoa, sua história, gostos e possibilidades”, completa Danielle.

Frequência

Valéria lembra que o importante é realizar as atividades de uma maneira saudável, sem focar necessariamente a frequência ou intensidade. “Incluir em uma rotina diária pelo menos uma ou duas tarefas que estimulem o treinamento cognitivo já será de grande valia. Não é preciso recorrer somente aos jogos específicos, mas também às leituras ou à organização dos ambientes, pois isso ajuda a desconstruir uma rotina já predeterminada, à qual se está condicionado e se realiza no automático. Já nos casos de demência específica, aí sim é fundamental que haja uma frequência maior para estabilizar a evolução”, conta.

Alguns problemas podem ser evitados

É importante ressaltar que os jogos podem adiar um possível aparecimento de demência, como por exemplo, o Alzheimer. “De forma geral, um bom treino cognitivo traz benefícios no processo da velhice, ao estimular a autonomia e o autocuidado, ou até mesmo o relacionamento interpessoal do idoso, contribuindo para que ele continue realizando as tarefas que fazia antes. A autoestima e o bem-estar também melhoram. Podemos exemplificar isso conceituando o treino cognitivo como uma prevenção e não um impedimento ao declínio da qualidade de vida”, completa Valéria.

Fonte: Revista Drogaria São Paulo

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