Diferença entre os alimentos

Manter uma dieta adequada, com mais alimentos naturais e menos industrializados, é um dos principais hábitos para ter uma vida sadia e longa. No entanto, cabe ressaltar  que se alimentar com frutas, legumes e verduras diariamente não garante saúde, porque é preciso preocupar-se também com a qualidade do alimento que consumimos e em qual sistema de produção ele é feito. Você já parou para pensar como a alface, cenoura ou couve que chegam até seu prato são plantados e cultivados? Tem gente que acha que plantar é algo padrão, mas engana-se, pois existem diferentes sistemas de plantio e cultivo que podem dar origem a produtos orgânicos, hidropônicos, transgênicos e os considerados “convencionais”, esses últimos vendidos em larga escala em mercados, feiras e hortifrutis. Inclusive, é bastante comum que as pessoas tenham dúvidas sobre o tema, até mesmo pela falta de informações a respeito dos sistemas de produção. Para entendermos melhor a especificidade de cada grupo, a engenheira de alimentos Mirna Sabiny Bianchete explica as principais diferença entre eles.

  • Convencionais: “os alimentos classificados como convencionais são produzidos com o uso de adubos químicos e agrotóxicos legalizados, os quais, se utilizados em excesso, podem gerar contaminação e erosão do solo, contaminação dos rios e em águas subterrâneas, causar perda na diversidade genética, poluição do meio ambiente e malefícios à saúde humana. É muito importante que os lugares que compram esse tipo de produto exijam dos fornecedores a utilização de agrotóxicos autorizados pelo órgãos oficiais”;
  • Hidropônicos: “são cultivados fora do solo: a terra é substituída pela água e há o uso de fertilizantes e agrotóxicos. É necessário o use de fertilizantes nesta técnica, pois é o que promove os nutrientes necessários para o crescimento do vegetal. Além disso, é adicionada uma solução aquosa de sais minerais para o tratamento de eventuais doenças e para a nutrição do vegetal. Essa solução aquosa nutritiva contém nitrato, composto que em excesso pode causar malefícios à saúde. Por não utilizar o solo, essa técnica possui vantagem sobre as outras, pois evita o desmatamento, lixiviação, plantio à beira-rio, erosão entre outros. O problema está no acúmulo de nitrato, que pode ocorrer caso haja um desequilíbrio entre a absorção e a metabolização”;
  • Orgânicos: “os orgânicos são produzidos em solos equilibrados quimicamente, biologicamente e fisicamente, sem a adição de agrotóxicos transgênicos, sintéticos ou fertilizantes químicos. O processo de produção dessa técnica respeita o meio ambiente, garante a conservação do solo, devido à ausência do uso de agrotóxicos, promovendo assim a biodiversidade e diminuindo a possibilidade de danos à saúde. Previne também a poluição das águas subterrâneas, dos rios, entre outros. Há ainda a produção de alimentos orgânicos de origem animal; por exemplo, a carne bovina, em que o animal é alimentado somente com nutrientes orgânicos e mantido em local calmo, confortável e espaçoso, evitando o estresse e reduzindo o uso de hormônios artificiais ou antibióticos sintéticos”;
  • Transgênicos: “sofrem modificações no código genético, ou seja, recebem genes provenientes do outro organismo, com o intuito de melhora na qualidade e na resistência à pragas. As plantas sofrem uma determinada modificação para que comecem a produzir toxinas contra as pragas existentes na lavoura, eliminando assim o uso de certos agrotóxicos. Essas plantas também podem ter o código genético modificado para que criem resistência a certos agrotóxicos para que os mesmos possam ser utilizados na lavoura, a fim de eliminar outros vegetais como, por exemplo, as ervas daninhas. É possível saber se estamos ingerindo um produto que contém algum composto transgênico olhando no rótulo: se houver um “T” preto sobre um triângulo amarelo significa que  produto possui mais de 1% de matéria-prima transgênica”.

Agrotóxicos e Fertilizantes Químicos

A razão pela indústria agrícola adotar o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos está no crescente índice populacional. Com mais pessoas e espaços cada vez mais reduzidos destinados ao plantio, tornou-se necessário criar técnicas agrícolas que garantissem alimento suficiente para que a população não sofresse com a escassez. Uma das técnicas é o uso de agrotóxicos, que evita a perda do alimento, colaborando com o aumento da produtividade e do volume de produção. Não há como negar que foi uma solução providencial: inclusive, funciona muito bem e atende a demanda; no entanto, é preciso ter consciência de que, em longo prazo, a ingestão de agrotóxicos e fertilizantes por meio dos alimentos pode causar graves danos à saúde humana, como o desencadeamento de câncer, devido à  mutação dos genes. Se não bastassem os danos à saúde, o uso excessivo das substâncias interfere nos recursos naturais, podendo reduzi-los aceleradamente. O acúmulo de agrotóxicos na cadeia causa diversos problemas ao meio ambiente. Preservar e respeitar a saúde, a natureza, o meio em que vivemos e produzir com sustentabilidade é um dever de todos.

 

Fonte: Revista Weekend

 

 

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