A crise dos dois anos idade

Criar um filho não é uma tarefa fácil e isso já é consenso entre pais, tutores e quem pensa em aumentar a família. Cada fase tem os seus desafios e principalmente, tempo de adaptação. É assim com a gravidez, a chegada do recém-nascido, os estímulos e descobertas iniciais, a introdução alimentar, os primeiros passinhos, a entrada na escola, a alfabetização, o fim da infância e até a tão temida puberdade, com suas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. 

Mas, você sabia que essa adolescência pode dar uma amostra muito antes? É o caso da criança de dois anos, também conhecida como adolescência do bebê. “Apesar do nome, esse período pode ocorrer de 1 ano e meio a 3 anos, variando de criança para criança, e é assim chamado pois muito se assemelha à juventude, uma vez que o pequeno está aprendendo a expressar suas vontades. Até então, eram os adultos que decidiam se ele colocaria o casaco ou comeria brócolis. Quando a expressão das vontades começa, surgem também a capacidade de se opor e o desejo de testar o ambiente para entender até onde pode ir”, explica a neuropsicóloga Adriana. Para ela a intervenção dos pais se faz extremamente necessária, justamente para sinalizar regras e limites. “Esse é um momento delicado, tanto para o filho quanto para os pais, que são de carne e osso e também se irritam, devendo manter o controle; normalmente, ele é marcado pelas alterações no comportamento da criança, que agora faz ‘birra’, tem ataques de choro, se joga no chão, quando contrariada; e é teimosa, optando, quase sempre, por fazer o contrário do solicitado. Também é importante mencionar que, nessa fase, o cérebro do bebê passa por uma mudança importante, a apoptose, além dos ‘ajustes’ para se adaptar às diversas alterações sofridas. Do momento do nascimento até então, foram desenvolvidas várias ramificações neurais com o objetivo de possibilitar o desenvolvimento em qualquer área. Com o crescimento, algumas ramificações são mais utilizadas que outras; então, as pouco ou não utilizadas são ‘podadas’ ficando apenas aquelas que estabelecem conexões funcionais. 

Lidando com o mini-adolescente:

Nem toda criança reage da mesma forma à crise dos dois anos: algumas utilizam outras estratégias (menos desgastantes) para expressar suas vontades, mas, para a maioria, a birra parece mesmo ser “requisito” fundamental. Segundo Adriana, a postura dos pais/tutores será determinante para alimentar ou contornar a situação, principalmente se ela vier permeada de berros e explosão motora. “É importante manter a calma e deixar claro que o pequeno é amado, mas que tal ato te entristece, além de não se enfurecer junto ou,  pelo menos, não demonstrar”. Entre as orientações, ela ressalta abaixar e olhar diretamente nos olhos da criança para conversar e pedir que ela se controle; já no caso de ataques mais intensos, o ideal é tirá-la do local, principalmente se for público e estiver gerando constrangimento. Se for em um ambiente controlado e que não representar riscos, o adulto pode optar por sair. Depois, com os ânimos controlados, é hora de dialogar, deixando claro que quer entender o que motivou tal situação, e explicar o porquê daquela atitude inadmissível. 

Ajuda profissional:

Um olhar atento pode ser providencial para definir se tais comportamentos são inerentes à fase em que o filho se encontra ou se já se faz necessária intervenção profissional. “Um dos sinalizadores é a autoagressão, situações em que o descontrole e ataque de nervo são mais intensos que o comum e representam riscos à integridade física”. De acordo com a neuropsicóloga, também é essencial correlacionar as atitudes com o ambiente, já que, se a família estiver vivendo um momento turbulento e isso estiver aparente no dia a dia, com choro, brigas ou discussões entre os entes, é possível que o bebê esteja sentindo o impacto e reagindo a essas alterações ambientais, o que requer auxílio especializado.

 

 

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