Doenças respiratórias

Doenças respiratórias crônicas representam um dos maiores problemas de saúde pública mundial e milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem dessas enfermidades ao redor do planeta As enfermidades podem ser classificadas como agudas, com maior prevalência de gripes, resfriados e pneumonias; e crônicas, com destaque para asma e DPOC, ambas com alta prevalência, particularmente entre crianças e idosos. As doenças respiratórias afetam a qualidade de vida dos pacientes e podem provocar limitações físicas, emocionais e intelectuais, com sérias consequências para a vida pessoal e profissional. O médico pneumologista Mauro Gomes, alerta que tanto as doenças respiratórias agudas como as crônicas são preocupantes, pois podem levar à limitação respiratória e ao óbito.

Cada doença tem uma característica em especial, com diferentes grupos de risco. A pneumonia, por exemplo, podem ocorrer em qualquer idade, mas os idosos são os que possuem o maior risco de óbito pela doença. Já a asma tem alta prevalência desde a infância, enquanto a DPOC apresenta maior risco para indivíduos que fumam e têm mais de 40 anos. A fibrose pulmonar idiopática costuma acometer pessoas com mais de 50 anos de idade e não possui ainda uma causa definida. “Se a DPOC não for devidamente tratada, os pacientes podem desenvolver exacerbações, também conhecidas como crises de falta de ar, com a consequente ida ao pronto socorro, internações e até o óbito”, pontua. A pneumonia, mesmo sendo uma doença curável com antibióticos, é a principal causa de hospitalizações no Brasil e a terceira em mortalidade, com cerca de 70 mil óbitos por ano. “As vacinas contra gripe e pneumonia podem ajudar a reduzir as mortes”, afirma o pneumologista. Já a FPI, doença rara, de causa idiopática, progressiva e fatal, ocasiona um tipo de ‘enrijecimento’ dos pulmões, que perdem a capacidade de realizar a captação de oxigênio do ambiente. A taxa de diagnósticos para a FPI é extremamente baixa, pois os sintomas típicos na fase inicial da doença, como falta de ar e tosse crônica seca, são confundidos com questões próprias do envelhecimento, doenças cardíacas, enfisema pulmonar, bronquite crônica ou outras enfermidades inflamatórias do pulmão. O especialista afirma que, mesmo sem dados de incidência no Brasil, a doença também preocupa porque, após receberem o diagnóstico, em geral, os pacientes têm média de três anos de vida, sobrevida menor do que em muitos tipos de câncer. O câncer de pulmão é o outra doença respiratória relacionada ao tabagismo e uma das principais neoplasias malignas no País. O câncer de pulmão leva a uma rápida deterioração da função respiratória e possui alta taxa de mortalidade, pois geralmente é diagnosticado em estágio avançado e com poucas chances de cura. “Para o sucesso no tratamento do câncer de pulmão é fundamental o diagnóstico precoce. A única prevenção existente é a cessação do tabagismo”, ressalta o especialista.

A asma começa se manifestar ainda na infância, sendo mais prevalente nos meninos até a adolescência, enquanto na fase adulta o perfil muda e as mulheres são mais acometidas. Doença crônica e inflamatória dos brônquios, de causa alérgica, a asma provoca principalmente falta de ar e chiado do peito, resultando em sérios impactos na vida cotidiana. A doença pode causar queda na qualidade do sono e sintomas diurnos, levando ao comprometimento das atividades de vida diárias. “A asma é mais frequente em regiões industrializadas e com maior exposição ambiental à poluição e aos agentes alergênicos, e ainda tem alta taxa de mortalidade, considerando-se a ocorrência de 6 a 8 óbitos por di no Brasil”, informa a médica Regina Maria pneumologista.  Há cerca de 30 anos, com inclusão de corticóide inalado no tratamento da asma e, posteriormente, às outras classes terapêuticas, ocorreu melhora do controle da doença, embora dados nacionais e mundiais indiquem que muito se tem a fazer, uma vez que as taxas de controle ainda estão muito aquém do esperado, apesar de todo o arsenal terapêutico disponível. Além do difícil acesso ao medicamento, ainda ocorre baixa adesão ao tratamento, pois, quando há melhora dos sintomas, muitos pacientes interrompem o uso dos medicamentos. Outro agravante é que os imunobiológicos são de alto custo, limitando o acesso. “Para melhora do tratamento é preciso a obtenção do controle da asma por meio da maior conscientização dos pacientes sobre a importância do tratamento, que pode reduzir os casos de maior gravidade e a mortalidade pela doença”, sinaliza o pneumologista Mauro Gomes.

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), denominação que engloba a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, é causada pelo tabagismo e acomete as faixas etárias acima dos 40 anos, com taxas de mortalidade muito preocupantes: atualmente, é a terceira causa de morte no mundo e a quinta no Brasil. Historicamente a enfermidade é mais prevalente nos homens pelo vício do tabagismo, mas o aumento de fumantes entre a população feminina preocupa os especialistas, porque a DPOC, aparentemente, tem curso mais grave e é mais sintomática nas mulheres, com maior perda da função pulmonar. A DPOC também está relacionada a outras formas de exposição, como fumaça de fogão e forno a lenha e queima de biomassa. “A mortalidade pela doença está em crescimento e só perde para as doenças cardiovasculares. É importante ressaltar que a DPOC é uma doença com comorbidades associadas, como hipertensão, cardiopatias, osteoporose, depressão e diabetes”, acentua. Outra dificuldade é que, em geral, a doença é desconhecida e negligenciada pelos próprios pacientes que, normalmente, acham que sintomas como falta de ar, cansaço, tosse frequente e aumento de produção de catarro (pigarro crônico) são próprios do hábito de fumar ou da idade. Porém, esses sintomas podem ser fortes indícios de DPOC e é importante que um especialista seja prontamente procurado para estabelecer um diagnóstico. “A cessação do tabagismo é um fator importante para a redução da incidência da DPOC”, pontua o pneumologista Mauro.

 

Fonte: Super Saudável.

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