Educação financeira para crianças

Administrar as finanças é um grande desafio para a maioria das pessoas. Há quem não consiga gerir seu orçamento e acaba “metendo os pés pelas mãos”, afundando-se em dívidas. Manter uma relação amistosa com o dinheiro é algo que pode ser aprendido já na infância, mesmo porque, logo cedo, os pequenos já sofrem os pelos do mundo do consumo. Dessa forma, especialistas incentivam a educação financeira para crianças, a fim de que na vida adulta a má gestão de capital não seja algo limitador de metas e sonhos, com menos estresse e mais qualidade de vida. Pensando em como instruir os pais na abordagem do assunto com os pequenos, o educador financeiro Uesley Lima preparou dicas sobre como inserir as finanças na vida de crianças de até 10 anos.

  • Poupança: ensine a poupar de maneira planejada e materializada. “Quando der um ‘porquinho’ de cofrinho para elas, ensine-as a separar cada dinheiro, o destino de cada quantia. Assim, eles entenderão melhor que o dinheiro do ‘cofrinho um’ é para um gasto imediato. E o do ‘cofrinho dois’, para algo mais específico”;
  • Crédito: dá para ensinar noções de crédito emprestando algo do pequeno com data marcada para a devolução. “Me empresta tal brinquedo e eu te devolvo daqui a quatro dias”. Faça isso sempre de forma lúdica, frisando a importância de que aquilo que tomou emprestado deve ser devolvido no prazo e, caso haja algum atraso, haverá certo grau de ‘punição’;
  • Investimento: diga aos pequenos que existem outras formas, além da poupança, de guardar ou fazer o dinheiro “esticar”. “Introduza a criança nesse universo, quando estiver lendo uma notícia. Mostre e explique o que é uma ação e quando passar perto de uma empresa grande, diga: sabia que você pode ser dono dessa empresa, comprando um pedacinho dela? Use blocos ou outros objetos simples para ilustrar sua explicações”;
  • Dinheiro: deixe as crianças familiarizadas com as notas, moedas e cartões. Dessa forma, elas conhecerão as diversas maneiras de “meio de troca” usadas na aquisição de bens. “Ensine que quando o cartão é passado na ‘maquininha’, determinada quantia de dinheiro está saindo da sua conta. Familiarize sempre as crianças com esses conceitos”;
  • Consumo: quando querem alguma coisa, geralmente, as crianças não sabem exatamente como se dá o conceito de consumo. “A maior parte dos pais têm problemas com as crianças que querem compulsivamente alguma coisa. Como tirar o consumismo das crianças? Use as propagandas da televisão como exemplo. Pegue o objeto principal da propaganda para ilustrar a ideia de compulsão e real necessidade”;
  • Preços: todas as vezes que fizer uma compra, mostre o preço à criança. “Diga que aquilo que ela está consumindo tem um valor e precisa ser pago. Talvez você possa pensar que isso é chato de ser feito, mas lembre-se de que a educação financeira se aplica nesses conceitos”;
  • Renda: “desde muito cedo você pode ensinar à criança que, para ter dinheiro, é preciso, na idade adequada, trabalhar, empreender, e que a profissão que ela seguir um dia vai render um dinheiro para que ela possa gastar”;
  • Administração de recursos: para ensinar a gastar com parcimônia é preciso fazê-las pensar no que vão fazer com o dinheiro que recebem. “Isso vai criando valores na cabeça da criança, de como ela deve administrar os recursos que tem”, finaliza Uesley.

Regras para mesada:

A criança passa a se familiarizar com o “mundo das finanças” quando passa a receber mesada, que pode não ter um valor fixo, mas é um “dinheirinho” que será controlado por ela. Aos pais ou tutores cabe ajudá-la nessa tarefa e, se achar necessário, estabelecer regras de acordo com sua realidade e a da criança.

 

 

Fonte: Revista Weekend

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