Reposição hormonal

O organismo feminino é bastante complexo e, ao longo da vida, requer alguns cuidados específicos. A partir da menarca (primeira menstruação) , que geralmente ocorre entre os 10 e 14 anos de idade, dá-se o início ao ciclo reprodutivo que vai até, aproximadamente, aos 50 anos. É nessa época que começa a menopausa, fase em que o corpo deixa de produzir os hormônios estrógeno e progesterona, e isso pode interferir de maneira significativa na saúde, sendo necessária a realização da reposição hormonal.

O que é?: a ginecologista Rita de Cássia Borges explica que a reposição ou terapia hormonal “faz parte de uma estratégia geral de manutenção da saúde da mulher e consiste na administração de hormônios (esteroides sexuais) no período perimenopausal e menopausa, fase na qual ocorre a falência funcional dos ovários”, comenta.

Sintomas: a queda hormonal é um processo fisiológico natural e inevitável que traz implicações patológicas para a mulher. Nesse contexto, a reposição hormonal atua para melhorar sintomas como: “fogachos (calores), sudorese, irritabilidade, depressão, deterioração da função cognitiva, perda da qualidade do sono, perda do libido, secura vaginal, incontinência urinária, atrofia da pele, perda de cabelo mais acentuada, astenia, artralgia, bem como para amenizar as consequências silenciosas como a síndrome metabólica, perda de massa óssea, aceleração do envelhecimento orgânico e doenças degenerativas como o Alzheimer”, detalha a médica.

Hormônio X Obesidade: Ganhar peso é tudo o que uma mulher não quer e a pergunta se o tratamento hormonal engorda é frequente. Segundo a ginecologista, o que acontece é uma mudança metabólica que pode, ou não, levar ao ganho de peso, mais isso vai depender de cada organismo. Para ela, no geral, o hormônio não é o vilão da história, cabendo a cada mulher fazer uma análise crítica de seus hábitos e readequá-los. “As mulheres devem ser alertadas desta mudança metabólica, que pode acarretar ganho de peso e que exigirá esforço no sentido da prática de atividade física e melhora na alimentação. As pacientes menopausadas devem ter peso monitorado e com consultas de rotina para avaliar se a introdução do hormônio realmente aumentou significativamente o peso”, aconselha.

Tratamento: para Rita, a terapia hormonal existe com a finalidade de aliviar os sintomas e não de cessar o processo da menopausa. Sendo assim, não é obrigatória, mas desejável, podendo ser individualizada dependendo dos sintomas, antecedentes familiares, risco-benefício e expectativas da mulher. “Ela deve ser alertada sobre os benefícios e malefícios desta reposição. O tratamento ajuda a mulher a atravessar essa etapa social e psíquica conturbada, por medo de envelhecer, pela deturpação da autoimagem, instabilidade conjugal, síndrome do ninho vazio, competitividade com o marido, processos de aposentadoria, solidão, abandono e viuvez, entre outros”, afirma. Para ela, a ação da terapia hormonal depende também da época da menopausa em que é administrada, sendo os maiores riscos na menopausa tardia. “Nessa época, geralmente a mulher já apresenta outras patologias. Então, em alguns casos a teraia hormonal poderia ser prejudicial. Já na menopausa inicial a ação da terapia hormonal, no geral, é extremamente benéfica”, declara.

A profissional explica que é aconselhável iniciar o tratamento co doses mínimas de medicação, pelo tempo mais curto possível. “É preciso observar as contraindicações e realizar o monitoramento constante da paciente com a realização de exames de ultrassom de mama e transvaginal, mamografia, densitometria óssea, função tireoidiana e perfil lipídico. A terapia hormonal pode ser feita com estrogênio, progestogênio e androgênio e administrada por via intramuscular, sublingual, por implantes, nasal, percutânea (tratamento que se faz pela pele), sendo que as vias mais comuns são a oral, transdérmica e vaginal”, informa.

Contraindicação: existem situações em que o uso da terapia hormonal é contraindicada.

  • Pacientes com doenças hepáticas;
  • Portadoras de hormônios-dependentes (mama, útero, ovário);
  • Acidente vascular cerebral prévio;
  • Pacientes coronáriopatas;
  • Portadoras de doenças trombo-embólicas, entre outras.

“Em pacientes com enxaquecas, diabéticas, hipertensas – que apresentem crises constantes, portadoras de miomas ou endometriose, deve-se discutir caso a caso, em uma avaliação multiprofissional (ginecologista, cardiologista, endocrinologista)”, completa.

Há controvérsias: Rita explica que o risco do aumento na incidência do câncer de mama e endométrio, além do aumento de acidentes cardiovasculares nas mulheres em uso de terapia hormonal é muito controverso, pois os estudos realizados ainda não chegaram a uma conclusão segura e definitiva. “A obesidade e o tabagismo, por exemplo, tem um risco significativamente maior nessa patologias do que a própria terapia hormonal. O que se deve ter em mente é que cada paciente deve ser avaliada por um ou mais profissionais capacitados a detectar todos os riscos cardiovasculares, neurológicos e para neoplasias, a fim de evitar alguma desordem por interferência desses hormônios. Sempre há de se lembrar do histórico familiar para tumores e trombofilias”, finaliza. O importante é sempre conversar com o médico de confiança para que ele analise seu caso e juntos escolham a terapia mais adequada e que ofereça menos riscos.

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