Felicidade

Como encontro a felicidade?

Cientificamente, o que nos tornou eternos caçadores da felicidade foi a própria evolução humana. “Freud nos diz que em algum momento da nossa evolução como espécie, nos tornamos civilizados, passamos a ser guiados pela cultura e iniciamos o viver em sociedade. Fizemos a transição do individual (viver sozinho) para o coletivo (viver em família). A partir dessa mudança, começamos a sofrer por três questões: nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução; pelo mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição; e, finalmente, pelos relacionamentos em geral. Sendo que esse último talvez seja o mais penoso de todos”, explica a psicóloga Kátia Piroli. Ou seja, durante a construção desse longo processo civilizatório, muitas leis, normas, regras e limites passaram a existir para que pudéssemos viver socialmente e, embora seja uma solução que funciona para manter o convívio, por outro lado fez com que o ser humano se sentisse impedido de realizar plenamente todos seus desejos.  “Além de tudo o que foi até aqui exposto, temos também as questões da denominada sociedade pós-moderna, que tem contribuído para a felicidade parecer estar cada vez mais longe. Segundo o filósofo Lipovetsky, vivemos na era do vazio e nos encontramos imersos na angústia. Outro autor que ajuda a entender o momento é Baumam. Ele nos aponta uma importante mudança quando sugere que a modernidade sólida cessa de existir e, em seu lugar, surge a modernidade líquida. Nela tudo é inconstante, as relações humanas são descartáveis. Ele alega ainda que este discurso pós-moderno prioriza o consumismo, o individualismo, os ideais de perfeição e o prazer imediato”, pontua Kátia. A humanidade evoluiu, mas tornou complexa a maneira de alcançar a felicidade. Talvez não seja possível ser plenamente feliz o tempo todo, não existe uma vida sem dificuldades; contudo, o que pode garantir o sentimento de felicidade é como, ao longo da vida, a pessoa lida com os problemas, entende seus sentimentos e pensa em resolver situações adversas.

Encontre o seu propósito

Não existe uma receita para ser feliz. É um sentimento que constrói no dia a dia e exige esforço no que diz respeito ao autoconhecimento. A verdade é que nem sempre é fácil olhar para dentro. Na maior parte do tempo, estamos focados no que acontece fora e vamos vivendo sem nem entender o que de fato nos traz alegria. “O propósito de vida nos projeta para algo maior do que os problemas cotidianos. Ele nos guia, nos alimenta. Quem tem um propósito de vida supera com mais facilidade as adversidades do cotidiano, cria seus passos, direciona seu caminho e consegue sentir-se feliz, porque entende sua razão de existir” ressalta a gestora de carreiras e orientadora vocacional, Andrea Deis.

Busque ajuda

Tem gente que passa pela vida sem entender o quanto é brilhante. E não compreender os próprios sentimentos e os propósitos de vida pode fazer com que a felicidade pareça algo muito distante. Nem todo mundo consegue identificar qual caminho deve seguir ou quais escolhas fazer, e isso é natural, porque – culturalmente – não somos ensinados a estruturar uma análise que nos leve ao topo do nosso desenvolvimento pessoal. Sendo assim, não há problema nenhum em buscar ajuda de profissionais ou pessoas próximas capacitadas a ajudar. “Os coaches e mentores podem contribuir nesse processo, pois através de metodologias específicas, são capazes de auxiliar o indivíduo a descobrir sua missão de vida, o legado que deseja construir, a enxergar os pontos fortes e fracos, desvendar sonhos, trabalhar a gestão do tempo, buscar equilíbrio das várias áreas da vida, superar medos e amar a si mesmo para que possa amar ou outros”, afirma Andrea.

A felicidade irreal

A felicidade não está no Facebook ou Instagram e é preciso ter cuidado com a era digital. “As redes sociais estão criando uma ilusão de felicidade, de uma autoexigência exagerada de exposição e de que pode mais quem mostra mais. Na essência existe um abismo entre as publicações e a realidade que nem sempre o outro consegue desconfiar. Aí vem a sensação de frustração, medo e insuficiência. Faz com que as pessoas queiram cuidar de si se comparando com o outro, mas cada um é um ser único e especial”, diz Andrea. Portanto, foque na realidade e na sua felicidade.

Quais são as principais razões que nos afastam da felicidade?

De acordo com a profissional Andrea Deis, é: almejar o que os outros conquistam: não se aceitar; não reconhecer as limitações; não potencializar as forças; lutar contra seu interior; acreditar que a felicidade depende do outro; ouvir sem filtrar e aceitar tudo como uma verdade única e universal.

Dicas para aproxime-se da felicidade com mudanças de hábitos:

  • Seja otimista: todos os dias, antes de dormir, ressignifique seu dia. Faça um diário escrevendo porque valeu a pena viver aquelas 24 horas. Faça isso sempre;
  • Supere suas crenças: desafie-se nas suas convicções, transforme medo em coragem. Pense diferente frente aos problemas. Escreva os obstáculos em um papel com todas as suas dificuldades. E guarde-o em um envelope colado. Em outro papel, escreva os passos que você terá que seguir para resolvê-los, com datas, prazos, ações e objetivos. Cole na sua agenda ou tela do computador. Em um terceiro papel, diariamente acompanhe sua rotina e viste a lista de prazos e resoluções. Se tiver que ajustar, ajuste. Mas não perca o foco principal. Celebre cada pequena conquista, por menor que seja!
  • Acalme sua mente: busque um lugar calmo para ficar por pelo menos 10 minutos diários. Respire e inspire 10 vezes, lentamente. Tente não pensar em nada. Se concentre na sua respiração. Se não conseguir, busque um ruído próximo e foque nele. Sinta seu corpo, sua energia, crie sua paz interior. Busque acompanhar sua respiração, o caminho que percorre seu corpo, visualize um lugar calmo, sereno, sem cobranças, sem medo, colo ele seria. Sinta-se nele. Ao voltar, resgate sua potência, mas continue em paz;
  • Perdoe: o rancor nos afasta da felicidade. Dê um passo para traz e perdoe a si e ao próximo se necessário. Não carregue em você o que não nasceu com você;
  • Pratique a gratidão: a gratidão nos engrandece e nos fortalece. Seja grato, expresse a sua gratidão em comportamentos para você e para o próximo;
  • Deseje ser feliz: não aceite pouco, queira muito. Arranque da vida, porque ela não dá de graça. Você tem que buscar e ser merecedor. Ser feliz, requer responsabilidade, disciplina e muita vontade.

 

Fonte: Revista Wekeend

 

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