Descarte de Pilha

História:

Foi o anatomista Luigi Galvini (1737 -1798) o responsável por trazer a discussão da condução de eletricidade à tona, quando em 1786 observou em um de seus experimentos que os músculos da perna de uma rã, recentemente dissecada, sofria contrações ao entrar em contato com dois metais diferentes; Logo, concluiu que os músculos do anfíbio armazenava a energia, enquanto os objetos usados eram apenas condutores.

Mas foi o físico Alessandro Volta (1745 -1827), colocando em prática os estudos de Galvini, que descobriu que a eletricidade não se originava dos músculos do animal, mas do contato entre metais distintos; os músculos da rã apenas reagiam. Nasceu então, em 1800, a primeira pilha elétrica, chamada de pilha de Volta, pilha Galvânica ou pilha voltaica.

Será que alguma vez você já se perguntou porque pilhas e baterias não podem ser descartadas de qualquer maneira?

A questão é de suma importância para a preservação do meio ambiente e deve ser refletida por todo cidadão que almeje um futuro para as próximas gerações. O chumbo, o cádmio e o mercúrio são alguns dos componentes desses objetos que podem trazer danos irreversíveis para a natureza. Se descartados incorretamente, água, solo e nosso organismo podem ser afetados, causando doenças e até o desenvolvimento de câncer.

Itens importantes para o nosso dia a dia, as pilhas, por exemplo, são usadas para funcionamento de diversos equipamentos, como controles remotos, câmeras fotográficas, relógios e outros. O material usado nelas não é biodegradável, ou seja, não se dissolve com o passar dos anos e sua deformação pode fazer com que vazem os líquidos nelas contidos, causando a contaminação. “O descarte adequado das pilhas evita a contaminação do solo e da água, além de evitar que nós sejamos contaminados com os metais pesados e outras substâncias que as pilhas liberam. Os riscos de termos doenças a longo prazo no sistema nervoso e rins, entre outros, é muito grande”, explica a especialista em Química Ambiental e professora da UNG, Caroline Araki dos Santos. Um exemplo bem simples: quando em contato com água, os metais pesados presentes nesses itens podem  ser transmitidos para o solo e seres vivos por meio da chuva, transformando-a em ácida. Uma vez no corpo, esses líquidos são cumulativos e podem causar enfraquecimento ósseo e até perda da visão, audição e olfato. Se alcançarem os lençóis freáticos, os danos podem ser muito maiores.

Existem diferentes tipos de pilhas. “Alcalinas, comuns e recarregáveis. As pilhas de mercúrio usadas, por exemplo, em relógios de pulso, balanças digitais. Pilhas também na forma de baterias automotivas e de celular”, esclarece a professora.

A especialista afirma que não existem pilhas que não sejam prejudiciais ao meio ambiente. É importante saber que não há uma estimativa de tempo de degradação da pilha, porque os metais pesados não possuem limite na sua vida útil. Ou seja, é muito difícil a natureza conseguir degradar os componentes desses objetos. E mais uma vez isso reforça a ideia de nunca jogarmos as pilhas e baterias no lixo comum.

Onde descartar ?

Segundo a Associação Brasileira da Industria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), são comercializados 700 milhões de pilhas por ano. Um programa da entidade já recolheu 1.150 toneladas desses itens desde a sua criação, em 2010.

Conforme a Resolução 257/99 do Conama e, mais recentemente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305, de agosto de 2010, estabelecimentos que comercializam esse tipo de material são os responsáveis pela coleta a partir do depósito dos consumidores. A melhor solução para que o problemas com pilhas e baterias sejam evitados é a conscientização sobre o correto descarte de pilhas e baterias. A simples ação de jogar esses itens no lixo comum pode acarretar efeitos extremamente prejudiciais ao meio ambiente.

Centros de reciclagem ou postos de coletas desses materiais, que estão espalhados por todo território nacional, farão com que o planeta ganhe mais dias de vida útil. É importante ressaltar que esses objetos não são lixos comum. O mesmo vale para lâmpadas. O descarte irregular é configurado crime ambiental, conforme previsto na Lei 9605, de 1998. A reciclagem e reutilização de pilhas e baterias usadas geram insumos que são utilizados na indústria de refratários, cerâmica e química em geral.

Veja alguns problemas graves de saúde que alguns metais pesados podem causar:

  • Perda de memória: por causa do mercúrio, suas funções cerebrais podem ser afetadas;
  • Insuficiência renal crônica: o cádmio causa problemas graves aos rins, além de demorar um longo período para ser totalmente eliminado do organismo;
  • Distúrbios digestivos: chumbo e cádmio são inimigos do sistema digestivo, podendo causar perda das funções fisiológicas, além de danos gravíssimos para o estômago;
  • Insuficiência cardíaca: o lítio pode causar distúrbio no nó sinusal, estrutura anatômica pertencente ao sistema cardionector, que desempenha papel fundamental no desempenho do coração.

 

 Fonte: Revista Weekend

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