Os riscos da desnutrição infantil

Uma alimentação balanceada é um dos pilares da boa saúde. Os hábitos alimentares da primeira infância são determinantes para o crescimento e desenvolvimento intelectual do pequeno.

Um distúrbio alimentar pode ser facilmente caracterizado pela perda ou dificuldade no ganho de peso e estatura abaixo do normal para a idade, mas é preciso observar outros sinais que podem sugerir que algo está errado. “Isso ocorre porque a desnutrição não é decorrente exclusivamente da falta de alimentos. Na verdade, ela é caracterizada como um desequilíbrio na oferta de nutrientes, seja pela ingestão insuficiente ou inadequada de alimentos, seja pela dificuldade de absorção do organismo”, explica Joana Carollo, nutricionista. O alto consumo de industrializados, refeições prontas e fast foods contribuiu proporcionalmente para o sobrepeso ou obesidade. Dados do Ministério da Saúde estimam que, atualmente, 20% da população infantil estão acima do peso. Justamento por isso, é importante observar outros sinais como fraqueza, falta de apetite, apatia, pele e cabelos ressecados e, sobretudo, enfermidades. “A carência de vitaminas, sais minerais e outros micronutrientes pode prejudicar a resposta imunológica e deixar a criança mais vulnerável a essas situações, adoecendo com mais frequência”, enfatiza Joana.

Para incluir na dieta da criança

Ainda que a desnutrição esteja diretamente ligada a oferta calórico-proteica, alguns micronutrientes são essenciais durante a infância e merecem atenção especial na dieta:

  • Ferro (beterraba, fígado de boi, feijão e couve): indispensável para o desenvolvimento físico e psicomotor, sua carência pode levar a anemia ferropriva, que afeta tanto o crescimento, quanto o aprendizado;
  • Zinco (agrião, escarola, farelo de trigo, aveia e sementes de girassol): por estar relacionado ao metabolismo hormonal e a diversas reações enzimáticas do organismo, sua carência pode limitar o crescimento, afetar o paladar e o desenvolvimento cognitivo;
  • Cálcio (produtos lácteos e seus derivados, além das opções vegetais como couve, brócolis, amêndoas e castanhas): essencial na formação do conjunto esquelético, crescimento e fortalecimento de ossos e dentes. Sua carência pode prejudicar o desenvolvimento da estatura, levando a complicações, como raquitismo e má formação óssea;
  • Vitamina A (vegetais folhosos de coloração verde escura, gema do ovo e frutas como manga e o mamão): além de fundamental para a saúde ocular, sua falta pode igualmente prejudicar o crescimento da criança e afetar significativamente o sistema imunológico.

Mudança de Hábitos

Orientação médica é fundamental para enfrentar o problema, já que somente um profissional pode diagnosticar e indicar o melhor tratamento, ou até uma suplementação. Mas algumas medidas simples, podem ajudar a ter uma alimentação melhor. Confira as dicas da nutricionista:

  • Estabeleça horários, evitando que a criança pule refeições, coma fora de hora ou fique longos períodos sem se alimentar;
  • Faça variações no cardápio, introduzindo alimentos saudáveis de uma forma mais saborosa e convidativa;
  • Evite a introdução precoce de industrializados, que são ricos em açúcares e conservantes. “Além de dificultar a aceitação de opções naturais e verdadeiramente saudáveis, isso pode afetar a própria consciência da criança a respeito de sua alimentação”, enfatiza Joana. No caso dos maiores, vigilância é essencial para que esse tipo de alimento não faça parte da dieta diária;
  • Planeje a lancheira. Deixar o filho teve para escolher o que comer fora de casa pode fazer com que ele escolha inadequadamente ou sequer se alimente;
  • Não caia na armadilha dos “fortificados e enriquecidos com vitaminas”, a alimentação natural e caseira é indiscutivelmente mais nutritiva.

 

Fonte: RG – Revista de Guarulhos

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