Entenda o coração da mulher

Mas delicado e frágil, o coração feminino tem particularidades que os especialistas passaram a entender e a dar maior atenção. Conheça você também um pouco mais deste órgão vital e o que se deve fazer para mantê-lo tinindo e longe de perigos. A mulher é bem mais vulnerável do que se imaginava em relação às doenças coronarianas. Para se ter ideia, o ataque cardíaco mata mais que o câncer de mama e, nelas, as pistas de que o problema está acontecendo são bem mais sutis do que os homens. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço de todas as mortes de mulheres no mundo, com 8,5 milhões de óbitos por ano, mais de 23 mil mortes por dia. Entre as brasileiras, 21 milhões delas estão sob ameaça de sofre um infarto a qualquer momento e 31 mil morrem todos os anos desse mal. Os distúrbios cardiovasculares que mais comumente afetam as mulheres são as doenças coronárias (infarto agudo do miocárdio e angina), a doença cerebrovascular (acidente vascular cerebral ou derrame cerebral) e a insuficiência cardíaca. A probabilidade de uma mulher ter um infarto fulminante é de 50% maior do que a de um homem com a mesma idade, hábitos idênticos e índices semelhantes de colesterol, triglicérides e pressão arterial. E por que tanta fragilidade? Os últimos 20 anos trouxeram as respostas após uma série de estudos e pesquisas para entender o funcionamento do coração feminino. O delas bate mais rápido e as artérias coronárias são mais estreitas. Até o modo como as placas de gordura se depositam nos vasos é diferente de como acontece no masculino.

Quanta diferença!

  • A frequência cardíaca da mulher é 10% maior que a do homem. São 60 a 80 batimentos por minuto no sexo feminino, contra 55 a 70 no masculino, Por ser mais acelerado, o coração da mulher sofre maior desgaste;
  • As artérias são mais flexíveis. Isso é bom, porque adia o processo de entupimento, porém os exames para detecção de arteriosclerose não determinam com precisão a extensão do depósito de gordura;
  • Os vasos das mulheres também são 15% mais estreitos que os dos homens e, portanto, mais propensos ao entupimento;
  • As placas de gordura tendem a obstruir rápido as artérias femininas. Nos homens, elas primeiro expandem as paredes das artérias para apenas depois entupi-las.

Rigor absoluto

Associação Americana de Cardiologia segue diretrizes quando o assunto é evitar doenças cardíacas em mulheres. São elas:

  • LDL (colesterol ruim): as taxas desta molécula de colesterol devem ser mantidas entre 70 a 100 miligramas por decilitro de sangue;
  • HDL (colesterol bom): a taxa desejável para este colesterol deve ser sempre maior que 60 miligramas por decilitro de sangue;
  • Triglicérides: a taxa considerada ideal deve ser menor 150 miligramas por decilitro de sangue;
  • Pressão Arterial: para mulheres, deve ficar em torno de 12 por 8;
  • Glicemia: a taxa de glicemia de jejum normal deve ficar inferior a 110 miligramas por decilitro de sangue.

A cartilha do coração

  • Controle o peso e trate a obesidade;
  • Vá ao médico regularmente;
  • Sempre que possível, meça a sua pressão arterial;
  • Mantenha-se longe do cigarro e jamais fume se usar pílulas anticoncepcionais;
  • Corte o sal dos alimentos e evite produtos industrializados, que são ricos em sódio;
  • Pratique atividade física pelo menos quatro vezes na semana;
  • Escolha as boas gorduras (que aumentam o chamado colesterol bom), como azeite de oliva, amêndoas, nozes e abacate;
  • Controle a glicemia, diminuindo os açúcares da dieta;
  • Evite os estresse;
  • Leve a vida de um jeito leve e de forma mais vibrante.

Onde mora o perigo

Entre os fatores que aumentam a probabilidade de uma mulher sofrer um ataque cardíaco estão: hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, estresse, obesidade, histórico familiar e tabagismo. “Com relação a este último item, vale lembrar que, para as fumantes, associar pílulas anticoncepcionais é quase uma bomba para o coração. A combinação é trombogênica, ou seja, propicia a formação de coágulos que entopem os vasos”, alerta Dr. Clério Azevedo, cardiologista. “Além disso, a menopausa é uma fase crítica, já que a mulher perde a proteção vascular proporcionada pelos hormônios femininos, como o estrôgenio. Ele facilita a circulação do sangue pelas artérias e protege o endotélio, tecido que reveste o interior dos vasos”, completa o especialista. Nas mulheres, em 70% dos casos os sinais de um infarto são de baixa ou média intensidade e podem ser confundidos com desconfortos que não dizem respeito ao coração, como dor nas costas, queimação no estômago e náuseas. É claro, porém, que os sintomas clássicos, os mesmos que aparecem nos homens, como dores no peito e nos braços, sudorese e falta de ar, também podem surgir. Até porque não existe uma regra para a forma como os sinais do infarto aparecem. Eles podem tanto se manifestar todos juntos como surgir separadamente. Não quer dizer que sentir uma dor no peito, enjoo ou falta de ar seja um ataque se aproximando. De qualquer forma, é bom ficar bastante atenta, principalmente se você se encaixa no grupo de risco. E como só dá para detectar se a pessoa está realmente tendo um infarto ou outro problema sério com exames, na dúvida, é sempre bom procurar um médico.

Vida saudável

Correr para o hospital pode mesmo salvar vidas. Porém, os especialistas avisam que não é o ideal quando o assunto é cuidar do coração. Para isso, a palavra de ordem é prevenção. “Além de tratar os fatores de risco, isto é, controlar a pressão, a diabetes e o colesterol, parar de fumar, perder peso, é fundamental adotar um estilo de vida saudável, praticar atividade física com frequência, evitar o estresse e eleger uma alimentação balanceada, com frutas, verduras e legumes e baixo consumo de itens ricos em sódio, nutriente que contribui para o aparecimento de hipertensão”, explica o doutor Clério. Sem falar que a visita regular ao médico não pode ser descartada para garantir uma vida mais saudável e longa.

Testes para evitar problemas

A avaliação cardíaca entra no pacote de prevenção e deve ser repetida com regularidade.  “O ideal é iniciá-la aos 30, 35 anos, até mesmo para quem mantém atividade física rotineira”, esclarece o Dr. Roberto Cury, cardiologista. Nas famílias em que há casos de infartos e derrames cerebrais, especialmente quando ocorreram com parentes mais jovens, é preciso redobrar a atenção em relação à arteriosclerose, ou seja, à deposição de gordura nas artérias, e os marcadores dessa doença devem ser dosados até mesmo durante a adolescência. Os exames mais importantes podem salvar o coração de uma mulher: exame clínico, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, cintilografia, ressonância magnética cardíaca e tomografia computadorizada.

 

 

Fonte: Revista Delboni Auriemo – Medicina Diagnóstica

 

 

 

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