Vida longa aos pets

Segundo dados do IBGE fornecidos pela Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para animais de estimação), o Brasil tem cerca de 132,4 milhões de animais de estimação, sendo 52,2 milhões cachorros e 22,1 milhões gatos. Para se ter ideia da proporção desses números quando relacionados á economia, os cuidados com alimentação e saúde dos bichinhos fazem com que o mercado petcare movimente cerca de R$ 17 bilhões por ano. Uma explicação razoável para valores tão altos é que a maioria das pessoas considera o pet como um membro da família ou, até mesmo, como um filho, e esse comportamento fez com que os tutores ficassem cada vez mais atento a tudo o que diz respeito ao bem-estar do animalzinho.

Valéria Ramos, veterinária da clínica Julevar Veterinária, está no segmento há 10 anos e notou essa mudança de comportamento. “O segmento pet vem crescendo há anos e nem crise barrou esse progresso. Desde 2002, o setor deu uma boa crescida. Hoje em dia é difícil encontrar uma família que não tenha um animal e quem tem, geralmente, zela e quer oferecer todos os cuidados possíveis. Para isso, é preciso profissionais qualificados a ponto de atender a demanda”, explica Valéria.

É preciso ir ao veterinário regularmente

Sabe aquela expressão: “melhor prevenir do que remediar” Então, ela também vale no mundo animal. Para garantir que a saúde do pet esteja sempre em dia é importante levá-lo periodicamente ao veterinário e também manter as vacinas e vermífugos em dia. A cada seis meses é ideal fazer uma consulta e, se possível, castrar os animais. Mas as consultas variam de acordo com a idade e com problemas como convulsão, inflamação na orelha, doenças de pele e ferimentos. “E sempre que o animal apresentar qualquer comportamento que não seja comum é recomendado procurar um profissional e não medicá-lo em casa”, pontua Valéria.

Oncologia veterinária: uma especialidade cada vez mais presente

Os casos de cães e gatos diagnosticados com algum tipo de câncer vêm aumentando e, até por conta dessa alta demanda, já existem lugares especializados nesse tipo de atendimento, como o Hospital Veterinário do Câncer. O objetivo inicial do trabalho da equipe do hospital é prevenir a doença realizando periodicamente campanhas de castração. “O câncer de mama em cadelas e gatas, por exemplo, pode ser evitado por meio de castração, isso porque a cirurgia, quando feita precocemente no animal, diminui a incidência dos tumores mamários. Nos machos a castração previne tumores prostáticos”, explica à veterinária Tatiane Marisis Giovani. De acordo com Tatiane, os cânceres mais comuns nos cães são de mama – o principal e mais comum nas cadelas, os tumores de pele como mastocitoma e linfomas. Nos gatos, o câncer de mama é o mais comum nas fêmeas e, para ambos os sexos, o carcinoma espino-celular e os sarcomas. Para identificar a enfermidade, existem exames de imagem, como raio-x e ultrassom; e o de sangue. Todos são capazes de mostrar a existência de algo errado. O exame físico realizado pelo veterinário periodicamente também é capaz de identificar alterações. A grande maioria necessita de cirurgia como parte do tratamento, seguindo por quimioterapia adjuvante em alguns casos. Mas cada caso é um caso.

Quando castrar?

Castrando precocemente as fêmeas, ou seja, antes do primeiro cio, o risco de desenvolver tumores é de 0,05%. A recomendação dos veterinários é realizar a cirurgia antes da puberdade do cão ou gato e, a partir do sexto mês de vida, o procedimento já é liberado. Animais adultos podem fazer a castração sem problemas e a cirurgia também pode ser feita nos machos.

Crise convulsiva

Muitos proprietários de animais que convulsionam ficam desesperados quando presenciam a cena pela primeira vez, mas na maioria dos casos é possível controlar o problema. “Os tutores ficam assustados com o quadro, pois o animal geralmente perde a consciência, debate-se, urina, defeca. Alguns chegam a achar que o animal morreu”, conta a veterinária Tatiane Correia Batista, da Clínica Veterinária Tiradentes.

As convulsões podem surgir por diversos motivos e, para identificar a causa, após um diagnóstico inicial do médico veterinário podem ser feitos exames complementares, como de sangue, sorologias e ressonância magnética. Entender o que causa o problema é importantíssimo para o tratamento, porque o animal pode convulsionar por alterações metabólicas (alteração de glicemia, aumento de uréia, aumento de enzimas hepáticas), doenças infecciosas (a mais comum é a cinomose), alterações estruturais no cérebro (cisto e neoplasia) e, em alguns casos, pode haver uma alteração congênita com pesquisas mostrando envolvimento genético em algumas raças.

“A convulsão pode acontecer em qualquer idade. De acordo com a faixa etária iremos direcionar as suspeitas. Por exemplo, em um filhote, logo suspeita-se de algo congênito e em um adulto de uma neoplasia”, diz Tatiane Correia.

A frequencia das convulsões pode variar de acordo com cada organismo ou com a afecção envolvida. Animais controlados podem ter uma crise a cada seis meses e alguns animais podem chegar a ter várias crises em um mesmo dia. O tratamento para controle das crises é feito com anticonvulsivantes, a medicação de primeira escolha é fenobarbital. E, se houver uma causa de base, faremos o tratamento em conjunto. O tratamento com anticonvulsivante visa diminuir o número de crises, mas o animal pode continuar apresentando as convulsões, porém, mais espaçadas. É importante que, durante a terapia, se monitore o nível sérico da medicação (saber se no sangue atingimos o valor desejado da medicação) e fazer exames periódicos para controle de possíveis feitos colaterais por algumas medicações.

Banho e tosa: o serviço merece atenção

Levar os pets para o banho e tose parece algo bem tranquilo, mas muitos acidentes podem acontecer durante o procedimento. Por isso, vale prestar atenção em como seu bichinho volta depois de cada higienização. “Os proprietários precisam estar atentos à limpeza, segurança do local e se informar se as pessoas que trabalham no local escolhido são realmente qualificadas para exercerem tais funções. Outra dica: desde quando o animal for filhote, o proprietário tem que se habituar em levá-los ao banho e tosa, para diminuir ou até mesmo inexistir o estresse. Tem animal que precisa ser sedado para um simples procedimento de banho e tosa, porém existem vários riscos quando se trata de sedação”, alerta Valéria Ramos.

Plano de saúde para os pets

Cá pra nós, quem já passou por alguma emergência sabe bem que as consultas e tratamentos podem pesar no bolso. Por causa dessa crescente procura pelos serviços veterinários, algumas empresas desenvolveram planos de saúde para animais de estimação, bem parecidos com os de humanos. Geralmente, o serviço se limita a cães e gatos e fatores como idade podem influenciar no preço do plano.

Emerson Zirpoli comercializa planos da empresa Helth For Pet e explica que os serviços cobrem consultas, exames, cirurgias, internação e vacinas. “Cada plano possui uma cobertura; então, depende muito da escolha do cliente”. Assim como nos planos de saúde para humanos, para os animais também existe carência e há procedimentos que não são cobertos, como, por exemplo, parto, prótese e órtese e acupuntura, entre outros.  Contudo o corretor lembra que o plano de saúde também é um meio preventivo.

“A cada dia, os tutores estão tendo a consciência da importância de um plano de saúde. Não somente pelo valor gasto no mercado, mas também sobre a necessidade de cuidar com check-up, prevenindo possíveis doenças provenientes das raças ou outras que possam acontecer ao longo dos anos”, ressalta.

A hora do adeus

É triste pensar na morte do animal de estimação, mas, inevitavelmente, uma hora eles nos deixam. E, para muitos proprietários, o destino dado ao corpo do animal também é algo muito importante. Para aqueles que têm esse tipo de preocupação, já existem lugares específicos, como o crematório animal Full Pet. A cremação individual, por exemplo, é um serviço personalizado com direito a cerimônia de despedida. “Trata-se de um serviço em que o responsável pode optar em levar as cinzas, tendo a opção de escolher uma urna ecológica ou as urnas especiais”, diz no site Full Pet.

 

Fonte: Revista Weekend

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