Dificuldade de Aprendizado

Tirar notas baixas nas provas ou não conseguir “acompanhar” a turma nem sempre significa que uma criança não goste de estudar. A falta de concentração e o baixo desempenho nas atividades escolares podem estar associados ao transtorno de aprendizagem. Segundo o DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), o transtorno de aprendizagem é diagnosticado quando a criança não apresenta déficit no desenvolvimento intelectual, mas tem dificuldades importantes na leitura, escrita ou cálculos. Ou seja, a dificuldade de aprendizagem está relacionada aos problemas que não decorrem de causas educativas, como em instâncias em que, mesmo após uma mudança na abordagem educacional do professor, o aluno continua apresentando os mesmos sintomas. Segundo Beatriz Azevedo, psicóloga, especialista em crianças e adolescentes, os motivos que causam a dificuldade são vários e podem ter relação com fatores genéticos, epigenéticos e ambientais que influenciam a capacidade do cérebro de perceber ou processar informações verbais ou não verbais com eficiência e exatidão. Mas, afinal, como saber se a criança tem mesmo um transtorno de aprendizagem? Para a identificação primária de alguma possível dificuldade, professores e pais são essenciais no processo. “A escola tem um papel importante porque, normalmente, os professores são os primeiros a perceber o transtorno. É importante que comuniquem os pais o quanto antes para procurarem um diagnóstico profissional. Os pais muitas vezes não levam muito a sério, pensando que isso deverá passar ou responsabilizando a escola pelo processo pedagógico ou culpando a criança de preguiça ou falta de vontade. O quando antes reconhecerem o transtorno, mais poderão ajudar seu filho a superar”, explica Beatriz. Mas para um diagnóstico concreto, de acordo com a profissional, é importante a avaliação de um profissional neuropsicólogo ou psicopedagogo, podendo também necessitar de avaliação médica ou fonoaudiológica. Alguns sinais são: problemas com soletração, fuga de leitura e escrita, dificuldade para resumir, problema com perguntas abertas, memória ruim, dificuldade com conceitos abstratos, problema para expressar ideias, má pronúncia, distração, confusão entre esquerda e direita ou pouco senso de direção, problemas para seguir instruções ou concluir tarefas.

Dificuldades de aprendizagem mais frequentes entre as crianças:

  • Dislexia: distúrbio da leitura que afeta as capacidades gerais de vocabulário e a velocidade e eficiência de leitura. Os sintomas da dislexia incluem fala tardia, dificuldade com a escrita e dificuldade para rimar palavras.
  • Discalculia: afeta a capacidade do indivíduo de processar números e pode se manifestar como um problema na capacidade de memorização.
  • Disgrafia: déficit de atenção da escrita. Pode ser resultado de uma ineficiência motora física ou de uma dificuldade mental de compreender e processar determinadas formas de informação. Indivíduos com disgrafia tendem a demonstrar problemas de escrita, escrita ilegível ou irregular e apresentar dificuldades de comunicação através da forma escrita.
  • Disortografia: dificuldade na compreensão ortográfica e dificuldade em concatenar orações.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): baixa concentração, inquietude e impulsividade, que é um transtorno individual, mas que pode estar em conformidade com os demais.

Existe diferença entre dificuldade e transtorno de aprendizagem?

“Sim, existe. O transtorno é uma disfunção de causa orgânica, um déficit no processo natural de aquisição da aprendizagem. Já a dificuldade de aprendizagem está inserida no atraso do desempenho acadêmico por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação pedagógica ou mudanças de padrões exigidos por escolas”, pontua Beatriz.

É possível tratar

Os transtornos de aprendizagem devem ser diagnosticados e tratados principalmente porque podem estar associados à desmoralização, baixa autoestima e déficit em habilidades sociais. “Hoje trabalhamos com o COGMED, um método simples e com alto índice de efetividade, que tem o objetivo de treinar e desenvolver a memória operacional por meio de exercícios cognitivos, tanto que 80% das pessoas que fazem treinamento tiveram alterações sensíveis em sua capacidade de concentração, foco, controle dos impulsos e diminuição do déficit atencional”, diz Beatriz.

 

 

 

Fonte: RG – Revista de Guarulhos

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