Escolher uma nova escola para os filhos ou até mesmo a primeira, no caso dos pequenos da educação infantil, não é uma tarefa fácil, mas, com reflexão, sensibilidade e bom senso, essa decisão torna-se possível e assertiva. Anita Lilian Zuppo Abed, psicopedagoga da Mind Lab e consultora da Unesco, explica que não existe o local certo ou ideal e sim a melhor escolha que pode ser feita e que, para isso, pais ou tutores precisam se conhecer e conhecer a criança para depois buscar uma instituição de ensino. “As mais modernas teorias da aprendizagem mostram que as pessoas não aprendem todas do mesmo jeito; umas são mais criativas, outras mais lógicas ou até sentimentais. O ser humano varia muito de personalidade e, por isso, cada um precisa de um ensino diferente”.

Critérios Importantes

  1. Visite a escola e questione sua proposta pedagógica;
  2. Observe se ela limita-se a ensinar ou se busca preparar o aluno para ser um cidadão;
  3. Verifique se a instituição incentiva à solidariedade, o respeito, a ética, entre outros conceitos que formam o ser humano socialmente responsável;
  4. Atente-se para a qualificação dos profissionais que ali trabalham e pesquise se a empresa respeita os direitos trabalhistas dos colaboradores;
  5. Analise os recursos disponibilizados aos alunos;
  6. Atividades extras, horário estendido, acompanhamento de nutricionista, presença de educação religiosa e / ou sexual e até tradição nos esportes podem ser diferenciais importantes.

Metodologias de ensino

Um critério fundamental e que pode facilitar na hora da escolha é conhecer a linha pedagógica oferecida pela instituição. Por meio dela, é possível entender o que o colégio usa como base para seu ensino e como lida com a individualidade da criança.

Montessoriana: Criada pela pedagoga italiana Maria Montessori, a linha montessoriana valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento, para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança. O método parte da ideia de que a criança é dotada de infinitas potencialidades. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como sujeito e objeto do ensino, simultaneamente. Maria Montessori acreditava quem nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar. As escolas montessorianas incentivam seus alunos a desenvolver um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado e a adquirir autoconfiança.

Construtivista: a proposta é inspirada nas ideias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon e, segundo a pedagoga Ana Mazzalli, procura instigar a curiosidade, pois o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas. Emilia Ferrero, aluna da Piaget, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule o contato com letras e textos. O construtivismo não considera o erro um tropeço, mas uma oportunidade, um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.

Waldorf: presente no mundo inteiro, essa norma foi criada em 1919, na Alemanha. Seu ensino teórico é sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corporais, artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes. “O foco principal da Pedagogia Waldorf é o de desenvolver seres humanos capazes de darem sentido e direção às suas vidas. Tanto o aprimoramento cognitivo como o amadurecimento emocional e a capacidade volitiva recebem igual atenção no dia a dia da escola”, destaca a pedagoga. Nessa concepção, a ideia é que a turma seja acompanhada por um mesmo professor durante vários anos e que cada um aprenda de uma forma mais lúdica e de acordo com seu ritmo intelectual, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais ao ser humano.

Tradicional: o objetivo principal deste método era universalizar o acesso do indivíduo ao conhecimento. Com seu modelo firmado e certa resistência em aceitar inovações, nas décadas de 1960 e 1970, foi considerado ultrapassado. As escolas que adotam a linha tradicional acreditam que a formação de um aluno crítico e criativo depende justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados. As avaliações são periódicas, por meio de provas, e medem a quantidade de informação que o aluno conseguiu absorver. “São escolas que preparam seus alunos para o vestibular desde o início do currículo escolar e enfatizam que não há como formar um aluno questionador sem uma base sólida, rígida e normativa de informação”, comenta Ana Mazzalli.

O peso da escolha

De acordo com a pedagoga, cada escola usa os preceitos de uma ou mais linhas pedagógicas para “moldar” suas aulas. Ela cita a professora Cecília Hanna Mate, da Faculdade de Educação da USP, que afirma ser possível encontrar práticas que utilizam um ou mais aspectos de diversas linhas ao mesmo tempo, assim como é possível haver posturas individuais de escolas que seguem apenas uma dessas tendências. Cecília pondera que  metodologia de ensino é apenas um dos fatores que regem a sala de aula e diz: “É fundamental entender que no cotidiano escolar há sempre o imprevisível e o imponderável, que as tendências procuram prever, regular, classificar, pois a pedagogia é uma normatização da conduta, da inteligência e do sentimento”.

Por fim, pesar do peso dessa decisão, final os pais precisam ter em mente que a escola será como a segunda casa para a criança, que ela passará boas horas lá dentro e a maior parte de sua socialização acontecerá lá também, a psicopedagoga Anita Lilian Zuppo Abed afirma que errar faz parte do processo. “Escola a gente troca; o filho não.

O ser humano é muito complexo; então, os pais não precisam se sentir culpados se a escolha não foi boa. Não dá para ter certeza, não é uma equação matemática. Então, fique atento e sensível e tente fazer o seu melhor”. Além disso, ainda existe a opção de uma consulta com o psicopedagogo, que pode avaliar melhor a criança e indicar algumas instituições. “Para uma escolha inicial, não vejo tanta necessidade, mas se a criança começa a não gostar da aula, ir ma ou tirar nota baixa, é recomendado. O profissional pode ajudar a família a entender o que está acontecendo e, se for o caso, indicar uma troca de colégio”, finaliza.

 

 

Fonte: RG – Revista de Guarulhos

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